Mercado de segurança privada encolhe

O jornal Valor Econômico publicou, nesta terça-feira (25/6), uma matéria sobre a retração do mercado de segurança privada em 2018. De acordo com Jeferson Nazário, presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), a crise econômica é a principal causa do encolhimento.

Confira a íntegra:

O mercado de segurança privada teve retração pelo segundo ano consecutivo no Brasil em 2018. O faturamento das empresas de vigilância e transporte de valores somou R$ 33,8 bilhões, uma queda de 2,1% comparado a 2017, segundo estudo da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist). No ano anterior, o recuo já havia sido de 2,8%.

A crise econômica, que tem levado as companhias a reduzir gastos com prestadores de serviço, é indicada como a principal causa do encolhimento.

“Infelizmente nosso produto não é percebido como sendo de extrema necessidade. Somos complemento operacional de fatores de risco e, nessa encruzilhada da economia, a meta principal é reduzir cursos”, afirma Jeferson Nazário, presidente da Fenavist.

Em 2018 o setor empregava 553,9 mil pessoas, patamar 0,9% superior ao do ano anterior, mas bem menor que o verificado antes da recessão começar, em 2014. De lá para cá, cerca de 100 mil postos de trabalho foram fechados.

Os números desse mercado, antecipados para o Valor, serão apresentados hoje na ISC Brasil – 14ª Feira e Conferência Internacional de Segurança, em São Paulo.

A retração ocorre independentemente da alta nos índices gerais de violência no país. Nos últimos cinco anos, o nível de emprego no setor atingiu seu patamar mais baixo em 2017, quando a taxa de homicídios foi recorde – 31,6 mortes para cada 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência de 2019, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

“Desde a edição passada, publicada em 2017, o Estudo do Setor de Segurança Privada (Esseg) tem exposto de forma visceral algo que há anos afirmamos: como em todas as atividades do país, o segmento cresce diante de uma economia forte, e não do aumento da violência”, afirma Nazário, em carta que abre a publicação.

Além disso, o presidente da Fenavist observa que a falta de uma regulamentação mais abrangente tem atrapalhado a expansão das empresas. A entidade defende a aprovação do Estatuto da Segurança Privada, que tramita no Senado, para coibir de forma mais efetiva a atuação de empresas clandestinas e ampliar o leque de serviços prestados pelas companhias, como segurança em eventos e proteção da área externa de presídios.