Informação e regulamentação são as melhores armas no combate à violência

O jornal Estadão publicou, nesta quarta-feira (26/6), um artigo escrito pelo presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores, Jeferson Nazário, sobre os dados apontados pelo VI Estudos da Segurança Privada (Esseg). Confira a íntegra:

O setor de segurança privada do Brasil realiza anualmente um mergulho em seus números para entender e dimensionar o contexto econômico em que está inserido. É uma espécie de dever de casa. Com ele, aprendemos com nossas fraquezas e revisamos as razões de nossas fortalezas. Afinal, estar bem informado é um ativo fundamental para qualquer segmento.

Em meio a uma economia que patina sem conseguir deixar para trás uma grave recessão, saber quantos somos, quem somos, em qual patamar estamos e qual o nível que desejamos alcançar no futuro se torna ainda mais decisivo.

Na segurança privada, onde qualquer tomada de decisão envolve a proteção de bens e cidadãos, é impossível trabalhar sem dados precisos. Por isso, o VI Estudo do Setor da Segurança Privada (ESSEG), que será lançado, nesta terça-feira (25), em São Paulo, ganha ainda mais importância.

Somos uma atividade que representa 0,5% do Produto Interno Bruto. Geramos cerca de 600 mil empregos diretos. Recolhemos mais de 80% do nossa faturamento em impostos e encargos sociais.

Atuamos de forma complementar a segurança pública. A equação é simples, em cada hospital, escola, prédio público que a proteção é garantida por um vigilante, temos um policial livre para atuar no combate ostensivo da criminalidade.

Complexa é a equação mais violência menos segurança. É exatamente isso um dos principais dados apontados pelo ESSEG. No período entre 2014 e 2018, o número de trabalhadores diminuiu consideravelmente. O faturamento, que como já ressaltei retorna em sua maioria aos governos municipal, estadual e federal, também caiu.

Isso evidência que a atividade não cresce com a violência, mas sim com uma economia forte.

Cabe a nós, empresários, tentar reverter essa situação. Vamos analisar os indicadores a fundo. Mas, sozinhos será mais difícil.

Por isso, se faz urgente e necessário que o Senado aprove o Estatuto da Segurança Privada. A proposta, que cumpriu todos os ritos legais em mais de sete anos de tramitação, precisa ser votada.

O texto amplia as possibilidades de combate à clandestinidade, incorporadora novos serviços que poderão ser desempenhados pelas empresas do segmento, consequentemente, criará novos postos de trabalho. Além disso, abre as portas para uma integração efetiva entre as seguranças pública e privada.

Assim, estamos a disposição do relator do Estatuto na Comissão de Transparência do Senado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para esclarecer todas as dúvidas. Informações precisas, com certeza, não faltam.

É hora de o Congresso Nacional, sempre sensível à voz das ruas, responder aos verdadeiros anseios da sociedade. Informação e regulamentação da segurança privada são as melhores armas no combate ã violência.

A informação contida no VI ESSEG aponta a urgência da necessidade de unir forças. Sem a regulamentação da segurança privada, as forças policias públicas acabam deslocadas para grandes eventos e são obrigados a diminuir os seus efetivos que atuam no dia a dia contra o crime. E quem perde com isso é a população brasileira.